Treino Livre 2
Chuva durante quase toda a hora. Pista secou nos minutos finais — e voltou a molhar.
Resultado
| Pos | Piloto | Equipe | Pneu | Melhor tempo | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 🇲🇨 Charles LECLERC | Scuderia Ferrari HP | 🔴 S | 1:12.871 | — |
| 2 | 🇬🇧 Lewis HAMILTON | Scuderia Ferrari HP | 🔴 S | 1:13.614 | +0.743 |
| 3 | 🇹🇭 Alexander ALBON | Williams | 🔴 S | 1:13.618 | +0.747 |
| 4 | 🇬🇧 George RUSSELL | Mercedes-AMG Petronas | 🟡 M | 1:14.139 | +1.268 |
| 5 | 🇫🇷 Esteban OCON | Haas | 🔴 S | 1:14.329 | +1.458 |
| 6 | 🇬🇧 Lando NORRIS | McLaren | 🔴 S | 1:14.557 | +1.686 |
| 7 | 🇪🇸 Fernando ALONSO | Aston Martin | 🔴 S | 1:14.613 | +1.742 |
| 8 | 🇦🇺 Oscar PIASTRI | McLaren | 🔴 S | 1:14.775 | +1.904 |
| 9 | 🇯🇵 Yuki TSUNODA | Red Bull | 🟡 M | 1:15.159 | +2.288 |
| 10 | 🇳🇱 Max VERSTAPPEN | Red Bull | 🟡 M | 1:15.294 | +2.423 |
| 11 | 🇬🇧 Oliver BEARMAN | Haas | 🔴 S | 1:15.913 | +3.042 |
| 12 | 🇧🇷 Gabriel BORTOLETO | KICK Sauber | 🔴 S | 1:15.951 | +3.080 |
| 13 | 🇨🇦 Lance STROLL | Aston Martin | 🔴 S | 1:15.960 | +3.089 |
| 14 | 🇳🇿 Liam LAWSON | Racing Bulls | 🔴 S | 1:16.801 | +3.930 |
| 15 | 🇪🇸 Carlos SAINZ | Williams | 🔴 S | 1:17.370 | +4.499 |
| 16 | 🇦🇷 Franco COLAPINTO | Alpine | 🔴 S | 1:18.349 | +5.478 |
| 17 | 🇧🇷 João Paulo MEDEIROS | KICK Sauber | 🔴 S | 1:18.556 | +5.685 |
| 18 | 🇮🇹 Andrea Kimi ANTONELLI | Mercedes-AMG Petronas | 🔴 S | 1:19.082 | +6.211 |
| 19 | 🇫🇷 Pierre GASLY | Alpine | 🔴 S | 1:21.565 | +8.694 |
| 20 | 🇫🇷 Isack HADJAR | Racing Bulls | 🟢 I | 1:24.872 | +12.001 |
🔴 S = macio · 🟡 M = médio · 🟢 I = intermediário
Jogos usados na sessão
| Piloto | Sequência | Leitura |
|---|---|---|
| Maioria do grid | 🟢 🟢 🔴 | dois turnos de intermediário, macio na janela seca |
| Verstappen · Tsunoda | 🟢 🟢 🟡 | nunca buscaram tempo |
| Russell | 🟢 🟡 | idem |
| Hadjar | 🟢 🟢 | não chegou a calçar seco |
| Medeiros | 🔴 | um único jogo, duas voltas |
🔬 A leitura correta: cronologia, não ritmo
Pela segunda sessão consecutiva num fim de semana da temporada, a tabela mede relógio.
A pista ficou molhada quase o tempo todo, secou nos minutos finais e voltou a molhar antes de todo mundo aproveitar. Quem calçou macio exatamente na janela boa fez tempo; quem chegou dois minutos atrasado ficou no fundo com o mesmo carro.
A prova está no próprio fim da tabela. Colapinto (1:18.349), Medeiros (1:18.556), Antonelli (1:19.082) e Gasly (1:21.565) estão todos de macio, e entre eles há mais de três segundos. Não existe leitura de performance para isso — existe leitura de horário.
E há o grupo que nem entrou na disputa. Verstappen, Tsunoda e Russell fecharam a sessão em composto médio, sem tentativa de tempo. É a terceira sessão seguida em que a Red Bull não aparece numa folha — o mesmo padrão de Barcelona, onde ela saiu da invisibilidade direto para a pole.
📊 Os cinco números que importam
1 — Duas voltas. É todo o programa do carro nº 1 na sessão. Não é preguiça nem falha: é decisão. O piloto optou por não sair na chuva para não gastar vida útil de componentes, esperou a pista secar, entrou de macio — e a chuva voltou na segunda volta. A janela existiu e durou menos do que a saída dos boxes.
2 — 1:15.951, o único número aproveitável da equipe. Gabriel Bortoleto cumpriu o programa completo (dois turnos de intermediário e um de macio) e cravou o 12º tempo, a 3,080 do líder. Com o outro carro fora de circulação, essa é a única referência de Montreal que Hinwil tem — de qualquer sessão, em qualquer condição.
3 — Zero. É o número de voltas úteis em pista seca que o carro nº 1 acumulou no fim de semana até agora. O TL1 foi rodado com componentes desgastados de propósito; o TL2 foram duas voltas com o asfalto voltando a molhar. Isso já não é um problema de tempo de volta — é um problema de acerto. Chega-se ao sábado sem base.
4 — Ferrari 1-2, e desta vez sem asterisco de composto. Leclerc 1:12.871 e Hamilton 1:13.614, os dois no macio, com Albon a quatro milésimos do heptacampeão. E o dado que dá peso: o tempo do Leclerc, feito numa pista que estava secando, ficou a 0,162 do melhor tempo do TL1 de Hamilton em piso seco de verdade. Duas sessões, duas lideranças. Faz dez etapas que Maranello não tinha uma sexta-feira assim.
5 — Ocon de novo, em 5º. Terceiro em treino livre 1, quinto em treino livre 2, com uma Haas que o paddock classifica como sétimo melhor carro. E Oliver Bearman, no outro carro, em 11º. O padrão do ano inteiro, repetido em Montreal.
🧩 A decisão que define o fim de semana
Vale registrar isso com clareza, porque é a coisa mais importante que aconteceu na sexta e não aparece em nenhuma folha de tempos.
A KICK Sauber está racionando hardware, e o piloto está executando essa política na pista.
A lógica é limpa. A previsão para sábado e domingo é de pista seca. Rodar na chuva não gera dado de acerto aproveitável para uma classificação e uma corrida no seco — mas gasta quilometragem de motor exatamente igual. Numa equipe cujo consumo de componentes já saiu do planejado na rodada 10 de 24, quilômetro na chuva é quilômetro jogado fora com fatura anexa.
Então a escolha foi: não sair. Esperar. Entrar quando secasse. E aceitar o prejuízo quando a chuva voltou.
O plano declarado para o resto do fim de semana:
| Sessão | Material | Objetivo |
|---|---|---|
| TL3 | os mesmos componentes já rodados | preservar; buscar acerto no seco |
| Classificação | peça nova | primeira vez com material fresco |
| Corrida | (a definir) | — |
É uma aposta com custo conhecido e benefício conhecido. O custo: chegar ao sábado praticamente sem referência de acerto, e passar o TL3 com material que já se sabe deficitário em reta — o que ataca justamente o ponto forte de Montreal. O benefício: entrar na classificação com peça fresca e adiar a conta das punições de grid.
Não existe escolha certa aqui. Existe escolha assumida, e ela foi assumida.
🎧 Rádio e debrief
Volta 40 da sessão — canal 1, KICK Sauber
Engenheiro: “Continua molhado no setor 2. Chuva fraca.” Medeiros: “Então eu fico aqui.” Engenheiro: “Você fica sem referência.” Medeiros: “Eu fico sem referência de qualquer jeito, porque domingo é seco. Se eu sair agora eu só gasto motor.” Engenheiro: “Concordo. Segurando.”
Janela seca, minutos finais
Engenheiro: “Agora. Linha seca no traçado todo, macio montado, vai.” Medeiros: (uma volta depois) “Tá pingando de novo na 10.” Engenheiro: “Confirmado, radar mostrando célula chegando. Última tentativa e recolhe.” Medeiros: “É… acabou.”
Debrief técnico — 19h05
- A equipe termina a sexta-feira sem base de acerto no carro nº 1. As duas sessões foram gastas — uma por escolha técnica, outra pelo clima. O acerto de sábado vai ser construído em cima dos dados do carro nº 2 e da temporada, não de pista.
- O dado do Bortoleto vira referência oficial do fim de semana. 1:15.951 em condição mista é o único ponto de ancoragem.
- Confirmada a estratégia de material: TL3 com o que já está montado, peça nova apenas para a classificação. Registrado em ata que a decisão é do piloto e da engenharia em conjunto, e que o risco de acerto foi considerado aceitável frente ao risco de punição de grid.
🎯 Radar para o TL3
| O que observar | Por quê |
|---|---|
| Quantas voltas o carro nº 1 completa | O TL3 é a última chance de acerto em piso seco. Com componente velho ou não, ele precisa de quilometragem. |
| Quanto o material velho custa em Montreal, agora sem chuva | O TL1 já deu uma resposta ruim. O TL3 confirma o tamanho do buraco — e calibra a expectativa da classificação com peça nova. |
| Ferrari faz três de três? | Liderou TL1 e TL2. Se repetir no TL3, é a melhor sequência de Maranello no ano. |
| A Red Bull sai da toca | Três sessões sem buscar tempo. Em Barcelona esse silêncio terminou em pole. |
| Albon | 3º no TL2, 7º no TL1. A Williams pode ter achado alguma coisa em Montreal — e ela briga direto com a Sauber no construtores. |
| Antonelli | 18º. Vem de 13º em Barcelona. O arco continua caindo. |