🇨🇦 GP do Canadá
Circuit Gilles Villeneuve, Montreal · 35 voltas
Leclerc faz a pole com 1:13.169 e meio segundo de margem numa pista molhada. Choveu no fim do Q2 e o Q3 inteiro foi em piso úmido com pneu seco — Verstappen, o mais rápido do Q1 por 0,535, larga em 8º.
Pole: Charles Leclerc · 1:13.169 (chuva) · Grid do Medeiros: 9º · Corrida: pendente
📊 Estado do fim de semana
| TL1 (seco) | TL2 (chuva) | TL3 (seco) | Classificação | |
|---|---|---|---|---|
| Medeiros | 17º · 1:14.578 🟡 | 17º · 1:18.556 🔴 (2 voltas) | 5º · 1:13.244 🔴 | 9º no grid · Q1 12º · Q2 10º · Q3 9º |
| Bortoleto | 14º · 1:14.074 🔴 | 12º · 1:15.951 🔴 | 18º · 1:14.757 🔴 | 16º no grid · eliminado no Q1 por 0,079 |
| Líder da sessão | Hamilton 1:12.709 | Leclerc 1:12.871 | Leclerc 1:11.783 | Leclerc 1:13.169 🌧️ |
A Ferrari liderou as quatro sessões do fim de semana. TL1 com Hamilton, TL2, TL3 e a classificação com Leclerc.
🏁 Grid
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 |
|---|---|---|---|---|
| Leclerc 🇲🇨 | Piastri 🇦🇺 | Alonso 🇪🇸 | Sainz 🇪🇸 | Norris 🇬🇧 |
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
|---|---|---|---|---|
| Hamilton 🇬🇧 | Albon 🇹🇭 | Verstappen 🇳🇱 | MEDEIROS 🇧🇷 | Russell 🇬🇧 |
| 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
|---|---|---|---|---|
| Ocon | Tsunoda | Gasly | Colapinto | Antonelli |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
|---|---|---|---|---|
| Bortoleto | Stroll | Lawson | Hadjar | Bearman |
Sem punições de grid. Detalhes em R10 - Classificação.
🎬 O arco da etapa
Montreal era, no papel, a virada de página. Depois de Barcelona — onde a KICK Sauber não existiu, os dois carros caíram no Q1 e o carro nº 1 abandonou depois de duas rodadas — o calendário oferecia exatamente o antídoto: freada forte, tração, muro, retas longas. A família de circuitos de Jeddah, Mônaco e Bahrein, que é onde este carro e este piloto funcionam.
Só que a equipe entrou na sexta-feira com outra prioridade, e ela não é de fim de semana: é de temporada.
O desgaste de componentes está acelerado. A Sauber usou o TL1 para rodar peças de motor já castigadas e medir o quanto elas ainda entregam — e a resposta, segundo o próprio piloto, foi assustadora: “nas retas parecia que o carro ia de ré”. Em Montreal, onde a velocidade final decide ultrapassagem e defesa, isso é a pior notícia possível.
O motivo por trás da escolha é aritmético. A Fórmula 1 limita quantos elementos de unidade de potência cada carro pode usar na temporada; estourar o limite é punição de grid, automática. Estamos na décima etapa de vinte e quatro. Se o consumo continuar no ritmo atual, as primeiras punições não são uma hipótese — são uma data.
Com o TL1 gasto em medição e o TL2 perdido para a chuva, o carro nº 1 chegou ao sábado sem uma única volta de referência em piso seco. O TL3 finalmente deu essa volta: 1:13.244, 5º na tabela, ainda com o material castigado.
E é aqui que o fim de semana fica interessante. A posição é enganosa — metade do grid não buscou tempo, e o ganho real sobre a evolução de pista foi de um décimo. Mas o 1:13.244 é um piso, não um teto: foi feito com a pior peça disponível, e o que entra na classificação é material fresco. É a primeira vez no fim de semana que a Sauber tem alguma coisa guardada em vez de alguma coisa a esconder.
A pergunta de sábado à tarde era uma só: o ganho da peça nova é maior do que a fila de sete carros que estava com tanque cheio de manhã?
A resposta veio em três partes, e a terceira ninguém previu
Q1 — a peça nova não fez milagre, mas o setor 1 fez. Décimo segundo, 1:12.373, com o segundo melhor primeiro setor do painel (20.593, atrás só do Verstappen, à frente de Sainz, Russell e das duas Ferrari) e o sétimo terceiro setor, a 0,532 do líder. Freada e tração são o carro. Reta não é — e agora se sabe que não é nem com componente fresco.
Q2 — 0,103. O 1:12.046 passou o Ocon por cento e três milésimos e colocou o carro nº 1 no Q3 pela terceira vez na carreira. Ele melhorou 0,327 sobre o próprio Q1 enquanto a média do grupo melhorou 0,205 — o oposto exato de Barcelona, onde ele achou 0,191 e o grupo achou 1,189.
Q3 — choveu. A água chegou nos minutos finais do Q2, custou a segunda tentativa do Andrea Kimi Antonelli e do Yuki Tsunoda (os dois eliminados) e transformou o Q3 numa sessão de pista molhada com pneu seco. Charles Leclerc fez a única volta limpa dos dez e cravou a pole com meio segundo de margem. Medeiros foi o nono, com a quinta melhor adaptação à chuva do grupo.
A Ferrari, portanto, liderou as quatro sessões do fim de semana — e chega ao domingo com dez etapas, 186 pontos e zero vitórias. É a única estatística de Montreal que vale mais do que o grid.
🎯 O que está em jogo
KICK Sauber — 37 pontos, 6º no construtores, com Aston Martin e Haas a 23. A conta de componentes é o problema estrutural da segunda metade da temporada, e 726 pontos de recurso disponíveis é a maior reserva do ano até aqui. No TL3 a equipe dividiu programas: carro nº 1 em volta rápida, carro nº 2 com carga.
João Paulo Medeiros — 9º no mundial, 36 pontos, cinco atrás de Carlos Sainz. Terceiro Q3 da carreira (Jeddah 8º, Mônaco 5º, Montreal 9º) — os três em circuito de muro, o padrão do dossiê intacto. Largará em 9º, com Max Verstappen logo à frente e George Russell logo atrás. O déficit de 0,532 no setor de reta, medido no Q1 com peça nova, é o dado que mais deve pesar no domingo: Montreal tem duas zonas de DRS.
Scuderia Ferrari HP — liderou as quatro sessões e converteu na pole com 0,533 de margem. 186 pontos, dez corridas, zero vitórias. Em Mônaco a pole virou derrota na primeira curva; aqui a pista permite recuperação, o que remove o último álibi geográfico. A conversão de domingo é o teste.
Max Verstappen — mais rápido do Q1 por 0,535, depois 0,346 mais lento no Q2 e a penúltima pior adaptação à chuva no Q3 (+3.017). Larga em 8º, atrás de um Williams e de uma Aston Martin de 14 pontos. 207 pontos e 46 de vantagem sobre Oscar Piastri, que larga em 2º. A Red Bull mandou engenheiros ao caminhão de dados antes de o Q3 terminar.
Andrea Kimi Antonelli — eliminado no Q2 em 15º, com um tempo 0,461 pior do que o próprio Q1. A chuva tirou a segunda tentativa, mas a primeira foi dele. Cinco corridas sem pontuar, 15 no ano contra 64 do companheiro. O arco segue caindo, e a imprensa parou de chamar isso de adaptação.
Fernando Alonso — 9º no Q2, 3º no grid. Melhor classificação da Aston Martin em 2026, numa equipe com 14 pontos no ano. Segunda melhor adaptação à chuva do Q3. Do outro lado da garagem, Lance Stroll foi eliminado no Q1 em 17º, na corrida de casa.
Esteban Ocon — passou o corte do Q1 por 0,079 e perdeu o Q3 por 0,103. Larga em 11º. Do outro lado da Haas, Oliver Bearman é o 20º, último do campo pela terceira vez em cinco corridas.