Treino Livre 1

Pista seca, sol. 60 minutos. Vinte carros completaram a sessão.


Resultado

PosPilotoEquipePneuMelhor tempoDif.
1🇬🇧 Lewis HAMILTONScuderia Ferrari HP🔴 S1:12.709
2🇯🇵 Yuki TSUNODARed Bull🟡 M1:13.260+0.551
3🇫🇷 Esteban OCONHaas🟡 M1:13.279+0.570
4🇲🇨 Charles LECLERCScuderia Ferrari HP🔴 S1:13.307+0.598
5🇬🇧 Lando NORRISMcLaren🟡 M1:13.337+0.628
6🇪🇸 Fernando ALONSOAston Martin🟡 M1:13.339+0.630
7🇹🇭 Alexander ALBONWilliams🟡 M1:13.428+0.719
8🇮🇹 Andrea Kimi ANTONELLIMercedes-AMG Petronas🟡 M1:13.473+0.764
9🇦🇺 Oscar PIASTRIMcLaren🟡 M1:13.513+0.804
10🇬🇧 George RUSSELLMercedes-AMG Petronas🔴 S1:13.672+0.963
11🇫🇷 Pierre GASLYAlpine🔴 S1:13.690+0.981
12🇪🇸 Carlos SAINZWilliams🟡 M1:13.896+1.187
13🇳🇿 Liam LAWSONRacing Bulls🟡 M1:13.918+1.209
14🇧🇷 Gabriel BORTOLETOKICK Sauber🔴 S1:14.074+1.365
15🇨🇦 Lance STROLLAston Martin⚪ H1:14.107+1.398
16🇫🇷 Isack HADJARRacing Bulls⚪ H1:14.144+1.435
17🇧🇷 João Paulo MEDEIROSKICK Sauber🟡 M1:14.578+1.869
18🇳🇱 Max VERSTAPPENRed Bull🟡 M1:14.817+2.108
19🇬🇧 Oliver BEARMANHaas🟡 M1:14.911+2.202
20🇦🇷 Franco COLAPINTOAlpine🟡 M1:15.504+2.795

🔴 S = macio · 🟡 M = médio · ⚪ H = duro


🔬 A leitura correta: por composto

Só cinco carros usaram macio. Comparar a tabela geral, como sempre, é comparar programas de trabalho.

🔴 Macio — 5 carros

#PilotoTempo
1Hamilton1:12.709
2Leclerc1:13.307
3Russell1:13.672
4Gasly1:13.690
5Bortoleto1:14.074

🟡 Médio — 13 carros

#PilotoTempoDif. no grupo
1Tsunoda1:13.260
2Ocon1:13.279+0.019
3Norris1:13.337+0.077
4Alonso1:13.339+0.079
5Albon1:13.428+0.168
6Antonelli1:13.473+0.213
7Piastri1:13.513+0.253
8Sainz1:13.896+0.636
9Lawson1:13.918+0.658
10Medeiros1:14.578+1.318
11Verstappen1:14.817+1.557
12Bearman1:14.911+1.651
13Colapinto1:15.504+2.244

⚪ Duro — 2 carros

Stroll 1:14.107 · Hadjar 1:14.144


📊 Os seis números que importam

1 — 17º na tabela geral, 10º entre os médios. A posição de tabela é a mais enganosa da temporada até aqui. Treze carros usaram médio; dentro desse grupo, o brasileiro é o décimo. Não é bom. Também não é décimo sétimo.

2 — Os dois carros verdes estão empatados, e ninguém vai perceber. Bortoleto fez 1:14.074 no macio; Medeiros, 1:14.578 no médio. O delta de composto em Montreal costuma ficar em torno de meio segundo. Convertendo o tempo do Bortoleto para médio-equivalente, chega-se a algo na casa de 1:14.5 — praticamente o mesmo número.

Três posições de tabela que não existem na pista. É o inverso exato do que aconteceu no TL3 de Barcelona, quando a folha inflava o brasileiro nº 1 em vez de rebaixá-lo.

3 — E nem isso vale, porque o carro estava sabotado de propósito. Medeiros rodou a sessão com componentes de motor desgastados, por decisão da equipe. O relato do piloto é direto: perda em reta, dificuldade em frenagem, dificuldade em saída de curva. Em Montreal, um circuito que é basicamente freada-tração-reta repetida sete vezes, isso ataca exatamente as três coisas que o traçado cobra.

4 — +1.557. Max Verstappen em 18º, no mesmo composto médio, um segundo e meio atrás do próprio companheiro. Não existe leitura em que isso seja ritmo. É programa de carga, mapa de motor conservador, ou as duas coisas. Barcelona já ensinou o que acontece quando alguém acredita em treino livre de Red Bull.

5 — Hamilton no topo. 1:12.709 no macio, com Leclerc em 4º também no macio. É a primeira sexta-feira do ano em que a Ferrari abre uma sessão na frente. Descontando o composto, Hamilton fica encostado no Tsunoda em vez de meio segundo à frente — mas encostado no Tsunoda já é mais do que a Ferrari conseguiu em Ímola, Mônaco ou Barcelona.

6 — Ocon em 3º, no médio, com uma Haas. A dezenove milésimos do melhor médio da sessão. É a segunda vez em 2026 que ele aparece num lugar que aquele carro não devia alcançar — a primeira foi Suzuka.


🔧 O motivo por trás do tempo ruim: o problema de componentes

Vale separar o que é fim de semana do que é temporada, porque isto é temporada.

A equipe não gastou o TL1 por acaso. Gastou para medir o quanto uma unidade de potência castigada ainda entrega — e a resposta foi pior do que o esperado. O piloto descreveu a sensação em reta como se o carro andasse para trás; em linguagem de engenharia, é perda de potência de ponta somada a entrega de ERS irregular, que também explica a dificuldade de saída de curva relatada.

Por que fazer isso agora: o consumo de peças da KICK Sauber está acelerado em relação ao planejado. O regulamento limita quantos elementos de unidade de potência cada carro pode usar na temporada, e estourar essa cota é punição de grid — automática, sem apelação. Estamos na rodada 10 de 24. Se o ritmo de desgaste seguir como está, a pergunta deixa de ser se virá punição e passa a ser em qual etapa.

O que a sexta-feira comprou: um número. Agora Hinwil sabe quanto custa correr com peça velha em circuito de reta — e é caro demais para ser usado em qualquer fim de semana onde ainda exista ponto em jogo.

O que vem a seguir: peça mais nova no TL2, o que transforma a segunda sessão na primeira medição real do carro nesta pista. Até lá, nada do que se viu no TL1 serve de referência.

O dado que muda o cálculo: a equipe entrou em Montreal com 726 pontos de recurso, contra 178 na Espanha. É a maior reserva do ano. Existe uma decisão de temporada a ser tomada com esse dinheiro — performance pura ou durabilidade — e o TL1 acabou de dar um argumento muito forte para o segundo.


🎧 Rádio e debrief

Meio da sessão — canal 1, KICK Sauber

Medeiros: “Isso aqui não anda. Na reta dos boxes eu tô sendo passado por gente de médio.” Engenheiro: “É o esperado. Estamos medindo, não estamos buscando tempo.” Medeiros: “Eu sei o que a gente tá fazendo. Só tô te dizendo que é pior do que a gente achava.” Engenheiro: “Registrado. Continua até o fim da sessão.”

Fim da sessão

Medeiros: “Freada e saída de curva também. Não é só reta.” Engenheiro: “Isso é útil. Muito útil, na verdade.” Medeiros: “Que bom que serviu pra alguém.”

Debrief técnico — 13h20

Duas conclusões, e uma decisão em aberto:

  1. A perda com componente desgastado é maior do que a modelagem previa — e não se limita a velocidade de ponta. O comportamento em frenagem e em tração sugere que a entrega de energia também degrada, o que penaliza o carro nos três pontos que Montreal mais cobra.
  2. O TL1 fica fora da base de referência do fim de semana. Nenhum acerto será calibrado por aqueles tempos.
  3. Em aberto: para onde vão os 726 pontos de recurso. O departamento técnico vai levar ao chefe de equipe a proposta de priorizar durabilidade antes de Silverstone — o que significa abrir mão de ganho de performance de curto prazo em troca de não largar do fundo do grid em três etapas do segundo semestre.

🎯 Radar para o TL2

O que observarPor quê
Medeiros com peça mais novaÉ a primeira medição válida do carro em Montreal. O tamanho do salto entre TL1 e TL2 é a resposta de quanto o desgaste custa.
Verstappen18º no médio não é crível. Se ele aparecer no TL2, o TL1 era programa — como em Barcelona.
A Ferrari confirma?Hamilton no topo e Leclerc em 4º, os dois no macio. Se repetir com carga de classificação, Maranello tem a melhor sexta do ano.
Bortoleto no médioEle usou macio no TL1. Ver os dois carros verdes no mesmo composto encerra a dúvida sobre quem está onde.
Ocon3º no médio com uma Haas. Confirmar ou não muda a briga por 7º no construtores.
ChuvaO TL2 tem previsão de sol com pancadas. Corrida é no seco — então molhado no TL2 custa a sessão de acerto inteira.